éramos dois corações tao danificados e desabitados apenas procurando um abrigo, sem saber o que buscávamos. E o vazio parecia exposto em apenas 5 minutos do seu silêncio. Andando pela cidade sem que nos movêssemos.
- o que você costuma fazer por aqui?
- eu vivo em um sonho do qual nao consigo despertar.
sábado, 17 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
de conversa
...
- O homem nao conhece nem a si mesmo por completo, como é que vai querer conhecer e saber de todo o universo e o mundo?
- Sao ambas as coisas infinitas.
- Mas nós teremos um fim.
- Infinitas quanto à profundidade. Existem tantas nuanças, becos, coisas crescendo e morrendo o tempo todo aqui dentro. Quem sabe o que poderiam revelar os 90% do que há em nós que estao ignorados? Não quis falar da duração. Estamos aqui por pouco tempo. Embora nossas energias estejam conectadas com tudo.
- E daqui, para onde vamos?
- Na real pouco importa. Nao conhecemos nem tudo o que há aqui, para que vamos querer ver de antecipação o que vem depois (se é que vem)?
- Nós nunca conheceremos tudo o que há, nem nunca veremos a todas as coisas. E é justamente essa a melhor parte - a eterna busca, o descobrimento infindo.
...
- O homem nao conhece nem a si mesmo por completo, como é que vai querer conhecer e saber de todo o universo e o mundo?
- Sao ambas as coisas infinitas.
- Mas nós teremos um fim.
- Infinitas quanto à profundidade. Existem tantas nuanças, becos, coisas crescendo e morrendo o tempo todo aqui dentro. Quem sabe o que poderiam revelar os 90% do que há em nós que estao ignorados? Não quis falar da duração. Estamos aqui por pouco tempo. Embora nossas energias estejam conectadas com tudo.
- E daqui, para onde vamos?
- Na real pouco importa. Nao conhecemos nem tudo o que há aqui, para que vamos querer ver de antecipação o que vem depois (se é que vem)?
- Nós nunca conheceremos tudo o que há, nem nunca veremos a todas as coisas. E é justamente essa a melhor parte - a eterna busca, o descobrimento infindo.
...
sábado, 3 de novembro de 2012
Aventura na Casa Atarracada
Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia, bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.
Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.
Ana Cristina César
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia, bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.
Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.
Ana Cristina César
domingo, 28 de outubro de 2012
da janela - nº 3
O esforço deve ser mantê-la aberta para que os pensamentos e energias circulem.
O esforço é para que isso nao seja um esforço.
E mesmo estando ela sempre circulante, nós nunca saberemos de nada.
Se tudo já foi inventado, o que vem depois da curva,...
Se a janela estiver bem aberta, nao haverá tempo para preocupações atoas.
Dorme-se pouco mas, para compensar, sonha-se muito.
Portanto abra a janela. Deixe entrar, deixe sair.
O esforço é para que isso nao seja um esforço.
E mesmo estando ela sempre circulante, nós nunca saberemos de nada.
Se tudo já foi inventado, o que vem depois da curva,...
Se a janela estiver bem aberta, nao haverá tempo para preocupações atoas.
Dorme-se pouco mas, para compensar, sonha-se muito.
Portanto abra a janela. Deixe entrar, deixe sair.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Sobre as viagens - a saudade
Contraditório, mas a estrada preenche os vazios que a d i s t â n c i a causa.
(Nao, isso nao é verdade.)
(Nao, isso nao é verdade.)
Contos da janela - conto nº 2
O primeiro foi o último.
Uma moça derrubou a lixeira aqui e foi olhar em volta. Aparentemente. Digo porque quando olhei lá pra fora a lixeira da rua estava deitada e a menina olhava aqui pra janela. Talvez tenha pensado ser eu um homem virando a noite a fazer o seu trabalho. Correta.
Mas ela se deu mal, era um escritor. Podia ser qualquer coisa, até policial. Escritor, nao.
Fiquei olhando pra saber as reaçoes. A lixeira continuou deitada.
Uma moça derrubou a lixeira aqui e foi olhar em volta. Aparentemente. Digo porque quando olhei lá pra fora a lixeira da rua estava deitada e a menina olhava aqui pra janela. Talvez tenha pensado ser eu um homem virando a noite a fazer o seu trabalho. Correta.
Mas ela se deu mal, era um escritor. Podia ser qualquer coisa, até policial. Escritor, nao.
Fiquei olhando pra saber as reaçoes. A lixeira continuou deitada.
domingo, 21 de outubro de 2012
da janela nº1 - morte viva
Um cigarro, jeans rasgados, caminhos tortos traçados sem grande interesse na cegueira do costume, fronteira da inexistência. Uma noite que será esquecida daí uns dias. Desimportante, apenas.
Transformando todos os seus caminhos em gelo você segue, o tempo patinando atrás.
Um sinal, uma lembrança. Algo de fatal escondido no inventário das suas últimas relações: melhor nao comentar.
Avança por ruas que perderam o sentido.
Belas flores mortas em vasos d'água.
Talvez você nao volte mais aqui.
Transformando todos os seus caminhos em gelo você segue, o tempo patinando atrás.
Um sinal, uma lembrança. Algo de fatal escondido no inventário das suas últimas relações: melhor nao comentar.
Avança por ruas que perderam o sentido.
Belas flores mortas em vasos d'água.
Talvez você nao volte mais aqui.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Volteios
Vai saber que histórias contém esses teus olhos, o quanto a noite te alterou. O que trazes da rua, o que levas de casa...
O que a linha tênue dos seus passos desenhou no eixo do globo dos meus olhos. O que do descaso dos seus beijos desaguou nas minhas estrofes. Sabor dadaísta.
Tanto faz que continuemos procurando essa coisa que nao sabemos o que.
Indiferente que encontremos, que "cheguemos lá". "Lá" onde? Já estamos aqui.
Melhor viver agora, no intervalo entre uma inspiraçao e uma expiraçao, onde cabem todas as nossas paixoes.
Melhor nao pensar no futuro.
Sem metas nem prazos,
Confundindo os amigos, sem memória pro mal
Querendo rasgar o documento e o dinheiro
mas nao pode.
O poder estraga tudo.
O que a linha tênue dos seus passos desenhou no eixo do globo dos meus olhos. O que do descaso dos seus beijos desaguou nas minhas estrofes. Sabor dadaísta.
Tanto faz que continuemos procurando essa coisa que nao sabemos o que.
Indiferente que encontremos, que "cheguemos lá". "Lá" onde? Já estamos aqui.
Melhor viver agora, no intervalo entre uma inspiraçao e uma expiraçao, onde cabem todas as nossas paixoes.
Melhor nao pensar no futuro.
Sem metas nem prazos,
Confundindo os amigos, sem memória pro mal
Querendo rasgar o documento e o dinheiro
mas nao pode.
O poder estraga tudo.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
A riqueza que nós temos
Voce é o meu maior laço, cordao umbilical.
Me alimenta de saudade, afeto e amor
Sim, amor
Que mesmo distante um coraçao pode sentir-se aquecido.
O calor de uma alma transmitindo o gostinho de casa à outra
e com isso distancia nenhuma pode.
Podem passar-se meses, anos-luz- de distancias
mas desse gostinho nao serei capaz
nao, esquecer, nao
Esse que tatua por dentro do peito o sorriso fácil, as surpresas
Quem me olha, me vê de pele limpa
Se eu me vejo, está carimbado nas melhores partes do meu corpo você
Meu corpo no de você
Que você seja feliz entao, minha passarinha.
Que conserve alegres as suas marcas em mim
Até que, mais que os calores, a luz dos nossos olhos se possam reencontrar.
E o que tem de tocante num olhar, se nao o seu calor?
Dorme agora,
é só o vento lá fora.
A mudanca tem me impedido de vir aqui postar!
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Se as suas pernas fossem bolas de ferro de 16 toneladas, ainda assim não causariam estrago algum. No seu jeito de andar graciosa, como se o chão machucasse, parece que os seus pés apenas dançam e equilibram-se sobre uma bola gigante e que todos em potencial - eu em particular - dependem do seu rumo incerto acima dessa bola. Trazes o mundo para mim com seus passos de balé despojado, sempre com jeito de coisa nova, num sorriso de criança indefesa mas olhar de mulher decidida.
Na sua levada, até a vida se perde. Confunde o relógio. Poderia ser um erro cada passo seu - esse mundo tão esquisito.
Na sua levada, até a vida se perde. Confunde o relógio. Poderia ser um erro cada passo seu - esse mundo tão esquisito.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
o que virá, antes de virar pó
Deixarei teus braços procurando os meus. Na cama só sobrará o cheiro do vinho, uma conversa banal, um conto qualquer sobre camafeus. Não te acordarei para poder ler teus sonhos pela manhã macia, sentir os primeiros raios do amanhecer me chamando para fora, me fazendo fogueira, me tecendo preces numa aurora qualquer. Não te ligarei, não te atenderei, não receberei tuas flores, teu vaso quebrado, teu olá desamparado de quem pensou o que dizer pelas últimas horas do dia, de quem não trabalhou a manhã inteira esperando cair a noite, que devorou as horas para que acelerasse o momento de ouvir minha voz ao telefone. Irei te dizer que não tenho tempo, mas não tenho pressa, que quero morno quando a brasa ferve nossos pensamentos, que a insanidade já me deixou caída num beco da rua augusta, que teus ombros não sustentarão minha dor quando esta me abraçar. Te direi, ou gritarei, melhor ainda, a plenos pulmões, que quero ar, não falta. Que minha história tem mais desdém que barca furada, telha rachada, gota de chuva pingando no meio da testa no sono tranqüilo. Te lançarei olhares, irei a jantares, recusarei convites para a noite acabar num adeus de olhos se trocando pelos versos. Serei versos, e toda sua. Te farei cartas como das antigas, anotarei seu destinatário, selarei com qualquer coisa o que vier à minha mente e te direi verdades tão inconseqüentes que meu rosto enrubescerá toda vez que te vir. Mas antes de tudo, quero capturar esses teus olhos de enchente pela madrugada. Quero ser a lua nessa tua maré beijando a areia dourada. Quero rimar na tua poesia, fazer do amor um jogo de esgrima, que me esquivo e me movo e me lanço para frente, para trás e perco por não entrar na tua dança, por fazer da minha esperança um pecado em te amar.
beatriz marques.
do blog: http://fridaysmile.blogspot.com.br/
achei digno de compartilhar
terça-feira, 7 de agosto de 2012
rascunho
Contenta entre as veias o sabor dos carinhos enquanto estima a saudade futura, não dá.
Prepara a mala somente com o necessário e possível, impossível.
E vai atrás da experiência, do mundo correndo solto. Que medo.
Poderia ficar bem quietinho... mas adora correr. E ficar.
Leva no peito e pro mundo todas as contradições.
Prepara a mala somente com o necessário e possível, impossível.
E vai atrás da experiência, do mundo correndo solto. Que medo.
Poderia ficar bem quietinho... mas adora correr. E ficar.
Leva no peito e pro mundo todas as contradições.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Dor de amantes desencontrados
... e passou olhando para o prédio
dela com um misto de ciúme e costume. Uma pontada no peito por
ver-se de súbito desfalcado. Não fosse o orgulho, reconheceria a
saudade. A altivez, sua armadura, o prevenia dos olhares alheios mas
não o poupava de pagar com todas as insônias o que ele fizera e
deixara de fazer. Uma luta para evitar a turbulência de um avião
pousado num aeroporto em terremoto. Recolheu seus olhos vigilantes,
bruxuleantes sob a mesma luz que já antes o iluminara alegre e
ingênuo. Sentiu o nó na garganta que confundia o seu rumo e
continuou andando, amputado.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Melhor era tudo se acabar
Ah, se não existisse o amor... Pagaria eu involuntário e à prazo o pecado do mundo com todas as insônias - nunca quitando a dívida.
Correria por aí a maldita cólera rasgando as nuvens para dilacerar o coração dos homens de bem.
Ante flores cansadas em jarros d'água, inúteis por desacreditarem do sentido do seu perfume, da sua aparência, eu veria meus sonhos transformados em vergonha.
Se não tivesse o amor...
Correria por aí a maldita cólera rasgando as nuvens para dilacerar o coração dos homens de bem.
Ante flores cansadas em jarros d'água, inúteis por desacreditarem do sentido do seu perfume, da sua aparência, eu veria meus sonhos transformados em vergonha.
Se não tivesse o amor...
sábado, 9 de junho de 2012
da estrutura dos retiros
Vai entender porque quando descanso entre as suas pernas o mundo prescinde de significados. Talvez os especialistas ou os mais vividos expliquem as contas pra um aconchego e seus momentos valerem mais que tudo. Não tem importância, penso. Levo o seu colo comigo pra passear pelo mundo. Levo no bolso esquerdo da blusa -lado do peito que bate-, levo nos braços, pra usar nas noites que me fizer falta o sorriso da musa. E levo nos olhos, pro mundo lá fora receber um pouco do que trago de melhor -a história.
E volto sorrindo, cheio de novidades, querendo o seu aconchego mais novo.
E volto sorrindo, cheio de novidades, querendo o seu aconchego mais novo.
terça-feira, 5 de junho de 2012
sublinhado pelo som de um piano
Vamos pintar as noites, deslizar o nosso jazz pelos telhados calados. Discutir o tom do céu, vamos procurar cadê a lua. Vamos existir de madrugada enquanto o mundo (que mundo?, sei lá), o mundo todo saboreia o coma pós uma meia rodada difícil do eixo da Terra. Difícil foi pra gente também (foi?). Bem mais complicado foi pra outrem. Mas deixa o ontem, vamos tentar aquela receita nova. E abrir o vinho, virar a taça de antes e dar espaço pro novo enquanto a gente se embriaga do passado, estamos sempre sob o efeito dele. Vamos deixar o novo e o velho se misturarem no copo e ver no que dá. Você admira psicologia? Mais uma coisa em comum... o quê? Você também frequentou aquele bar? Como foi que não nos encontramos antes? Penso que o destino quis ter certeza antes de fazer essa jogada... bem, tanto faz, diminui a luz da cozinha e vem sentar aqui... eu acabei de perder a fome.
Ao som de
Ao som de
sábado, 12 de maio de 2012
criador realizado em plena musa
completo sou eu
quando escrevo na minha inspiração
as inspirações que ela me dá.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Era
Era um menino que gostava de brincar com o seu lápis no papel. Desenhava palavras e as palavras desenhavam nuvens e tapetes mágicos que o levavam para passear nas partes mais doces que este mundo desconheceu. Outras vezes desenhava com as palavras desenhos feios pra se libertar, e se libertava desaprisionando desenhos que se queriam livres. Abria alas para os rabiscos bobos que não sentiam-se confortáveis dentro dele - o menino. Era um menino feito de rabiscos, necessitava o seu lápis e tinha amigos de papel que o consumiam demasiado.
"Um dia eu vou te dar um grande amor, um ideal pelo que viver e uma história que vai curar alguma alma adoentada que porventura te cruzar." Disse o menino ao seu pedaço de papel.
Alguém se habilita a continuar a história? Fazer o que quiser com ela e dar ponto final ou não. É só continuar nos comentários.
"Um dia eu vou te dar um grande amor, um ideal pelo que viver e uma história que vai curar alguma alma adoentada que porventura te cruzar." Disse o menino ao seu pedaço de papel.
Alguém se habilita a continuar a história? Fazer o que quiser com ela e dar ponto final ou não. É só continuar nos comentários.
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