sábado, 30 de julho de 2016

Deixe o ciclo das águas

Chegando no condomínio fui pegar a chave de casa no Raul e ele gritou algo que não entendi.
Estavam amigos dele que cumprimentei rapidamente enquanto Maria me ligava para levar alguma coisa.
Raul precisou repetir umas 5 vezes até eu entender que ele havia deixado um quadro para a Maria.
Disse "ok" sem entender e desci.
Peguei no carro o que Maria pedira e
Quando cheguei em casa, antes de entrar vi um quadro ao lado da porta.
Entendi o recado do Raul!
O quadro era antigo, com cara de que foi pintado mais de uma vez. Com cara de quem já esquecera pelo menos uma história.
Mas estava virado pra parede.
Peguei pra ver, era o quadro do Raul para a Isabella.
Melhor, a pintura que ele fez para a Isabella anos atrás.
Mas no quadro ela estava com a cara virada para a parede.
Aquela pintura que já vira tantos cômodos agora não olhava para nada.
Olhava para mim, era o fim e eu o testemunhara sem reação.
Sem graça, um pouco tenso.
Como quem segura sem jeito uma panela cheia de água fervendo.
A pintura tão colorida me olhava dando sinais de morte.
Como quem estivesse pronta para seguir outra via.

Estava virada para a parede.

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